DIABÉTICOS NÃO DEVEM UTILIZAR ASPIRINA PARA PREVENIR DOENÇAS CARDÍACAS, DIZ ESTUDO

 

Reportagem da BBC Brasil fala de um estudo que concluiu que a Aspirina não deve ser tomada por diabéticos para prevenir problemas cardíacos, mas é recomendada para pessoas que já tiveram ataques cardíacos ou foram diagnosticadas com doenças na artéria coronária, podendo reduzir complicações futuras em até 25%.

 

A reportagem foi reproduzida pelos portais de notícias O Globo, G1, da Abril e 24 horas news. Também foi reproduzida, com manchete alterada, nos portais Folha Online e BOL.

 

O resumo e o texto integral do estudo, em inglês, estão disponíveis no site da revista especializada British Medical Journal. Clique aqui para ler.

 

A doença vascular é a principal causa de morbidade e mortalidade em pacientes com diabetes melito dos tipos 1 e 2. O estudo, conduzido em 16 hospitais da Escócia, avaliou se o consumo de aspirina e/ou antioxidantes seria mais eficaz que o placebo para reduzir o desenvolvimento de doenças e eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes melito e doença arterial periférica assintomática.

 

A reportagem da BBC fala que 1,3 mil diabéticos participaram do estudo. Uma leitura atenta do original trouxe uma cifra um pouco mais precisa: foram 1.276 participantes, divididos em quatro grupos: 100 mg de Aspirina mais cápsula com antioxidante, Aspirina mais cápsula de placebo, comprimido de placebo mais cápsula de antioxidante ou comprimido de placebo mais cápsula de placebo.

 

A cápsula continha os seguintes antioxidantes: 200 mg de tocoferol, 100 mg de ácido ascórbico, 25 mg de cloridrato de piridoxina, 10 mg de sulfato de zinco, 10 mg de nicotinamida, 9,4 mg de lecitina e 0,8 mg de selenito de sódio.

 

Antioxidantes foram incluídos no estudo para avaliar as ligações entre agregação plaquetária e aumento no estresse oxidativo em pessoas com diabetes e doença arterial periférica. Anteriormente, demonstrou-se que os radicais livres aumentavam a agregação plaquetária. Os níveis plasmáticos de vitamina E, ácido ascórbico e outros antioxidantes são menores em diabéticos.

 

Os agentes antiplaquetários são conhecidos por reduzir futuros eventos cardiovasculares secundários em pacientes com diabetes melito e doença cardiovascular, e também em pacientes com doença arterial periférica.

 

O estudo realizou uma meta-análise de quatro estudos prévios sobre a Aspirina como profilaxia primária contra eventos cardiovasculares, que mostraram que a Aspirina diminuiu o risco de infarto do miocárdio, mas não reduziu a mortalidade total e poderia aumentar o risco de derrame e hemorragia. Esta meta-análise e outro estudo prévio concluíram que a Aspirina não deveria ser dada a todos os pacientes de diabetes, mas apenas para subgrupos específicos.

 

Segundo o estudo, o uso da Aspirina é uma das dez principais causas de efeitos adversos de drogas relatados à “Commission on Human Medicines” (Comissão sobre Medicamentos Humanos). A hemorragia gastrintestinal é associada ao uso de drogas antiinflamatórias não-esteroidais em mais de 80% dos casos relatados, e 87% desses casos estavam associados à Aspirina.

 

Em entrevista à reportagem da BBC, Jill Belch, coordenadora do estudo, disse que a aspirina é uma das causas mais comuns de admissões hospitalares para os casos de sangramentos estomacais.

 

Segundo a reportagem da BBC, a Aspirina “não trouxe benefícios para um grupo de 1,3 mil diabéticos que não apresentavam sintomas de doenças cardíacas. Os resultados contradizem teorias anteriores de que pessoas com diabetes deveriam consumir aspirina rotineiramente para se proteger dos riscos de ataques cardíacos e infarto”.

 

A reportagem segue dizendo que o “uso da Aspirina, no entanto, é recomendado para pessoas que já tiveram ataques cardíacos ou foram diagnosticadas com doenças na artéria coronária porque pode reduzir futuras complicações em até 25%”.

 

 

Antioxidantes

 

Com relação aos antioxidantes, o estudo traz algumas considerações. Segundo o estudo, as taxas específicas de eventos adversos não apresentaram diferença estatisticamente significante entre os grupos que receberam e não receberam antioxidantes, exceto por sintomas gastrintestinais –incluindo dispepsia- que foram relatados por mais pacientes no grupo que não recebeu antioxidantes.

 

Por outro lado, mais mortes ocorreram nos grupos que receberam antioxidantes. “O aumento no número de mortes de qualquer causa nestes grupos, comparado ao grupo sem antioxidantes, foi estatisticamente significante. Essa diferença parece ser parcialmente devida a uma relativa deficiência de mortes no grupo sem antioxidantes, comparados com o padrão observado para esta faixa etária e de gênero na Escócia, e parcialmente devido ao excesso de mortes no grupo com antioxidantes”, diz o estudo.

 

“Uma preocupação foi o fato de que houve uma tendência ao dano no grupo que recebeu antioxidantes. Deve-se notar que o aumento no número de mortes no grupo com antioxidantes deve parcialmente refletir a melhor sobrevida que a esperada para o grupo que não recebeu antioxidantes, ao invés de um óbvio efeito negativo dos antioxidantes”, concluíram os pesquisadores.

 

 

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ASPIRINA PODE PREVENIR DOENÇA CARDÍACA, MAS TAMBÉM TRAZER EFEITOS ADVERSOS

 

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