GESTANTE QUE INGERE MUITA GORDURA TRANS PODE PREJUDICAR SAÚDE DO BEBÊ

29 Outubro 2008

 

Estudo pré-clínico sinaliza que gestantes que mantêm uma dieta rica em gorduras trans podem prejudicar a saúde do bebê. O estudo foi tema de reportagem da agência O Dia, publicada no suplemento Vida e Saúde do Suplemento Terra. Clique aqui para ler a reportagem.

 

O estudo foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fiocruz. Ratas que foram alimentadas com grande quantidade de gordura trans tiveram filhotes com maior percentual de gordura corporal e triglicerídeos e menores teores de lipoproteínas de alta densidade, o HDL, colesterol considerado benéfico à saúde do organismo.

 

O efeito foi notado em até seis meses após o nascimento dos filhotes, mesmo que eles tenham recebido uma alimentação mais equilibrada.

 

Em entrevista à agência O Dia, a pesquisadora Patrícia Dias de Brito explicou que a fase de amamentação é crucial para definir a composição corporal e o perfil hormonal na vida adulta. Durante a amamentação, ocorre a determinação do número de receptores celulares para hormônios e outras substâncias.

 

“Essa mensagem fica armazenada no animal, independentemente do que ele vai ingerir ao longo da vida. Assim, as alterações corporais provenientes do leite materno alterado, que ocorreram durante a amamentação, ficam memorizadas no organismo”, conclui Brito.

 

O artigo comenta também um estudo da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, que concluiu que o gosto de alimentos consumidos pela mãe durante o período de amamentação passa para o leite materno em questão de minutos.

 

Este blog já havia comentado um estudo pré-clínico britânico que concluiu que o consumo de junk food por gestantes pode prejudicar saúde da criança. Leia o artigo, aqui. Leia também sobre a possível relação entre a dieta aos três anos e desempenho escolar de crianças, aqui.


SCHWARZENEGGER SANCIONA LEI QUE BANE GORDURAS TRANS NA CALIFÓRNIA

26 Julho 2008

 

Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, sancionou o projeto de lei que proíbe o uso de gorduras trans em lanchonetes e restaurantes. A informação consta de reportagem da edição São Paulo impressa, de hoje, do jornal Folha de S.Paulo.

 

O assunto foi tema de artigo deste blog, publicado ontem. Leia o artigo, aqui.

 

A sanção de Schwarzenegger também foi tema de reportagens dos portais de notícias Terra, BBC Brasil, G1, Estadão Online e da edição online do jornal Zero Hora.

 

Uma boa notícia para a população brasileira: segundo a reportagem da Folha, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, “iniciou nesta semana uma série de reuniões com representantes da indústria para elaborar um cronograma para banir a gordura trans e discutir a redução do sal e do açúcar nos alimentos”.

 

A saúde agradece.


CALIFÓRNIA PODE PROIBIR GORDURAS TRANS

25 Julho 2008

 

Novo avanço nas decisões relativas à saúde pública. Pena que, por enquanto, seja apenas nos EUA. Um projeto de lei, já aprovado pelo legislativo estadual e enviado para sanção do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, propõe a proibição total do uso de gorduras trans em lanchonetes e restaurantes.

 

Em 2007, Schwarzenegger já havia sancionado uma lei que proíbe o uso das gorduras parcialmente hidrogenadas em cantinas de escolas públicas. As informações são de reportagem publicada pelo portal de notícias online BBC Brasil.

 

Este blog já havia comentado o banimento quase total de gorduras trans em Nova York e tem outros artigos que falam sobre o assunto (aqui, aqui e aqui), inclusive um artigo sobre a legislação de gorduras trans no Brasil.

 

Caso seja aprovada, os estabelecimentos da Califórnia terão prazo até 2010 para se adequar à nova lei. As panificadoras terão um ano adicional. Caso contrário, poderão pagar multas de US$ 25 a US$ 1 mil.

 

Alguns alimentos, como carnes, contêm naturalmente quantidades ínfimas de gorduras trans, mas os estabelecimentos deverão abandonar óleos, margarinas e outros produtos que contenham gorduras trans, normalmente utilizados no preparo de pães, doces e molhos.

 

Segundo a reportagem da BBC Brasil, as gorduras trans “tornam os alimentos mais crocantes e aumentam seu prazo de validade, mas são consideradas um fator de risco para a obesidade e as doenças cardiovasculares”.


JUNK FOOD EM GESTANTES PODE PREJUDICAR SAÚDE DA CRIANÇA

2 Julho 2008

 

Reportagem da BBC Brasil fala de estudo pré-clínico que concluiu que “uma alimentação à base de junk food por mães durante a gravidez e a amamentação pode prejudicar, a longo prazo, a saúde da criança”. A reportagem foi reproduzida pelos portais de notícias Folha Online, G1, Terra e Estadão Online.

 

A dieta inadequada pode originar problemas como obesidade, alto nível de colesterol e glicose e diabetes na criança. Os danos podem ser irreversíveis, mesmo que a criança adote hábitos alimentares saudáveis.

 

O estudo, com ratos, foi conduzido por pesquisadores do “Royal Veterinary College”, em Londres, e publicado na revista especializada “The Journal of Physiology” (leia o estudo na íntegra, em inglês, aqui).

 

Segundo Neil Stickland, que participou da pesquisa, os resultados podem ser aplicados a humanos. “Os humanos e os ratos dividem sistemas fisiológicos similares e essa é uma boa razão para assumir que os efeitos observados nos ratos possam ser repetidos nos humanos”, disse Stickland à reportagem da BBC.

 

Na pesquisa, ratas grávidas foram divididas em dois grupos: um recebeu comida processada, doces e frituras, e o outro recebeu uma dieta saudável. Os filhotes das mães com dieta à base de junk food tinham altos níveis de colesterol e triglicerídeos (que contribuem para doenças cardíacas) e níveis altos de glicose e insulina (que aumentam as chances de a criança desenvolver a diabetes do tipo 2).

 

Os ratos foram monitorados até depois da fase adolescente. Aqueles cujas mães se alimentaram de junk food continuavam mais gordos e tinham uma camada de gordura ao redor dos rins.

 

Em entrevista à reportagem da BBC, o nutricionista Simon Langley-Evans, da Universidade de Nottingham, Inglaterra, questionou as conclusões do estudo. Segundo ele, o estudo não prova que a dieta da mãe pode afetar a saúde da criança além do efeito nos desejos e no apetite.

 

“Tudo o que eles mostraram pode ser resultado de obesidade causada pelo aumento do apetite”, afirmou Langley-Evans, que, no entanto, reconhece que a influência precoce da mãe é muito importante.

 

Estudo pré-clínico anterior concluiu que gestantes que comem junk food podem estar condenando os seus filhos a ter compulsão pela mesma dieta (leia reportagem da BBC Brasil sobre este estudo, aqui).


NOVA YORK BANE GORDURA TRANS EM PADARIAS E RESTAURANTES

1 Julho 2008

 

A partir de hoje, 1º de julho de 2008, entra em vigor na cidade de Nova York a proibição do uso de gordura trans artificial (óleo vegetal parcialmente hidrogenado) em restaurantes. As informações são de reportagem (em inglês) do jornal americano “The New York Times“.

 

Este blog já havia comentado as iniciativas de banir a gordura trans (GT) em Nova York (leia o artigo, aqui). Leia também artigos deste blog sobre os perigos do consumo de GT (aqui e aqui), e sobre a legislação no Brasil (aqui).

 

Os produtos de fritura ou panificação de restaurantes e outros fornecedores de alimentos devem estar livres de GT. A infração à regra implica multas de até US$ 2 mil.

 

Padarias devem preencher formulários com a receita de cada produto, listando seus ingredientes. Pequenas quantidades de óleo vegetal parcialmente hidrogenado, gordura ou margarina, com menos de meio g por porção, são permitidas.

 

A iniciativa é elogiável, considerando os níveis alarmantes de obesidade e incidência de doenças cardiovasculares entre os americanos. Mas os óleos candidatos a substituir a GT têm teores consideráveis de gordura saturada.

 

Um site sobre GT criado pelo departamento de saúde de Nova York traz uma lista de óleos livres de GT e seus fornecedores. Entre os óleos para fritura citados no site, estão o de canola, girassol, semente de uva, azeite, de soja e de semente de algodão. Também há misturas de óleos e óleos com alto teor de ácido oléico ou baixo teor de ácido linoléico.

 

Outros ingredientes, como manteiga, óleo de dendê e banha, cogitados para substituir a gordura trans, também possuem gordura saturada.

 

O American Institute of Baking (Instituto Americano de Panificação, em tradução literal), localizado no Kansas, foi convocado pelo departamento de saúde da cidade para elaborar receitas sem GT. O desafio é produzir a mesma cor, textura e paladar em receitas de massas folheadas, croissants, roscas, bolos simples e confeitados, biscoitos e pão doce até atingir resultados satisfatórios para que os restaurantes possam fazer a transição.

 

Um proprietário de restaurante eliminou a GT de seus produtos, e declarou numa entrevista recente que a transição tem sido mais fácil do que esperava e os clientes parecem não ter percebido nenhuma diferença.

 

 

Problemas da substituição

 

Mas podem haver dificuldades culinárias. Cookies sem GT podem ficar crocantes demais. Mesmo assim, uma padaria declarou à reportagem do NYT que, apesar da dificuldade inicial, conseguiu produzir os cookies.

 

Já uma cadeia de alimentos retirou o strudel crocante do menu, por considerar muito difícil produzi-lo sem GT. O óleo de dendê, por sua vez, endurece demais em temperaturas baixas ou fica muito fluido e pode derreter em temperaturas altas.

 

Outro problema é financeiro. Há relatos de aumento de 20% no custo de fabricar alimentos sem GT.

 

 

Controvérsia nutricional

 

O aumento no uso de gorduras saturadas tem sido alvo de discussões. Em entrevista à reportagem do NYT, a Dra. Sonia Angell, diretora do programa de prevenção e controle de doenças cardiovasculares da cidade, disse que “a gordura trans é, grama a grama, pior do que a gordura saturada.”.

 

Já o Dr. Robert H. Eckel, professor de medicina especializado em cardiologia e endocrinologia na Universidade do Colorado, em Denver, diz que os nova-iorquinos “poderão ignorar os perigos das gorduras saturadas, que também contribuem para a obesidade e doenças cardíacas”.

 

Segundo ele, a American Heart Association está preocupada com os dois tipos de gordura. “Não é uma questão de qual é melhor e qual é pior”, declarou à reportagem do NYT.

 

Segundo Dariush Mozaffarian, professor-assistente de medicina e epidemiologia em Harvard, algumas pesquisas sugerem que as GTs podem mudar o metabolismo das células de gordura, fazendo com que as pessoas ganhem mais peso abdominal nocivo.

 

Não há dúvida de que devemos evitar o consumo de GT. Segundo a Anvisa, não há quantidades seguras para o consumo desta substância. Por outro lado, se há gorduras saturadas nos novos produtos de Nova York, o certo é proceder com bom senso: reduzir seu consumo a níveis aceitáveis.