FELICIDADE E CÂNCER DE MAMA

22 Agosto 2008

 

 

Reportagem da BBC Brasil fala de estudo que concluiu que a felicidade previne o câncer de mama. A reportagem foi reproduzida pelos portais de notícias Folha Online, Terra, G1, BOL Notícias, Tudo Na Hora e Jornal NH.

 

Os autores da pesquisa, da Universidade de Ben-Gurion, afirmaram que ainda não existe uma clara ligação entre o estado mental e os sistemas imunológico e hormonal e mais estudos são necessários. Mas mulheres felizes têm menos chances de desenvolver a doença.

 

No estudo, foram entrevistadas mais de 250 mulheres com 24 a 45 anos de idade com câncer de mama, e outro grupo de mulheres saudáveis. A atitude em relação à vida, a ocorrência de episódios tristes ou traumáticos foram temas do questionário.

 

Na comparação dos resultados dos questionários, os pesquisadores notaram que mulheres otimistas tinham 25% menos chances de desenvolver câncer de mama. Por outro lado, mulheres que passaram por experiências traumáticas tinham mais propensão a desenvolver a doença.

 

Segundo os pesquisadores, passar por duas ou mais crises aumenta os riscos de câncer de mama em dois terços.

 

A reportagem da BBC afirma que pesquisas anteriores “sugeriram que o estresse pode aumentar os níveis de estrogênio em mulheres, um hormônio que pode desencadear e alimentar o câncer”.

 

No entanto, uma reportagem sobre o mesmo estudo, publicada na edição online do jornal Telegraph, do Reino Unido, traz ressalvas de especialistas britânicos. Leia a reportagem do jornal, em inglês, aqui. Esta reportagem é mais precisa ao falar do número de mulheres que participaram do estudo: foram 255 mulheres com câncer de mama e 367 mulheres saudáveis.

 

Os especialistas disseram que os resultados deveriam ser vistos com cautela, pois não foram considerados fatores como história de câncer de mama na família e peso corporal, que teriam uma influência significante no desenvolvimento da doença.

 

A doutora Sarah Cant, gerente de políticas do Breakthrough Breast Cancer, declarou à reportagem do Telegraph: “Não há evidência clara que experiências positivas ou negativas podem afetar o risco de câncer de mama. O estresse emocional é altamente subjetivo e difícil de ser medido com precisão”.


FELICIDADE, SAÚDE E LONGEVIDADE

19 Agosto 2008

Quer aumentar seu tempo de vida em 7,5 a 10 anos? Reportagem da France Presse diz que ser feliz ajuda a proteger contra doenças e aumentar a longevidade. A reportagem foi publicada no suplemento Equilíbrio do portal de notícias Folha Online.

O estudo, uma meta-análise de 30 relatórios de diferentes países, foi conduzido na Universidade Erasmo, de Rotterdã, e publicado na revista especializada “Journal of Happiness Studies“.

De acordo com a reportagem da France Presse, os pesquisadores concluíram que a felicidade protege as pessoas saudáveis de doenças, e “um estado de ânimo positivo aumenta os anos de vida”.

Por outro lado, um “estado de tristeza crônica cria uma reação do tipo ‘combate ou fuga’ (’fight or flight’), e este tipo de reação é conhecido por gerar, a longo prazo, efeitos negativos como pressão arterial alta e baixas defesas imunológicas”, explica o autor da pesquisa, Ruut Veenhoven, em entrevista à France Presse.


ESTUDO COM CELULAR SOB SUSPEITA

11 Junho 2008

 

Reportagem da Efe, publicada pelo suplemento de Informática da Folha Online, fala de um estudo que diz que “celular perturba sono dos jovens”. Jovens que falam muito e enviam muitas mensagens pelo celular teriam mais dificuldade para dormir e sofreriam de estresse e fadiga. O estudo foi divulgado pela Academia Americana da Medicina do Sono em Westchester (EUA).

 

Em entrevista à reportagem, Gaby Badre, autor da pesquisa e médico da Academia de Sahlgren em Gothenburg, na Suécia, declarou: “Parece existir uma relação entre o uso intenso dos celulares e uma conduta que compromete a saúde, como o cigarro, os estimulantes e o álcool. É necessário conscientizar os jovens sobre os efeitos do uso excessivo dos celulares em seus padrões de sono, sobre os riscos para a sua saúde assim como sobre os problemas cognitivos e de atenção”.

 

Nada contra estudos com celulares, muito pelo contrário. Se os celulares realmente causam problemas, é imperativo descobri-los para evitar problemas de saúde. Mas o estudo apresenta problemas. Não pude ler o estudo original, mas, se as informações da reportagem estiverem corretas, alguns pontos precisam ser considerados.

 

Em primeiro lugar, o número de participantes do estudo é extremamente baixo para produzir resultados estatisticamente significantes. Foram 21 jovens, divididos em dois grupos. Um grupo, de controle, com dez participantes, fez menos de cinco chamadas e/ou enviou cinco mensagens de texto ao dia. Outro grupo, com onze participantes, realizou mais de 15 chamadas e/ou enviou 15 mensagens de texto.

 

O segundo problema é relacionado às condições de recrutamento dos participantes. Segundo o estudo, no início os jovens tinham boa saúde e nenhum problema de sono. Ao final do estudo (a reportagem não fala da duração do estudo), os jovens que usavam muito o celular “mostraram um estilo de vida descuidado, maior consumo de bebidas estimulantes, dificuldades para dormir, além de maior suscetibilidade ao estresse e à fadiga”.

 

Muito bem. Me parece estranho que jovens perfeitamente normais tenham passado a descuidar de seu estilo de vida e consumir bebidas estimulantes, só porque utilizavam mais seu celular. Será que eles não eram assim desde o início? Será que as entrevistas de início foram feitas adequadamente?

 

Portanto, me parecem prematuras as conclusões do estudo. E se for o contrário? Pode ser que jovens com estilo de vida descuidado, estressados, que gostam de bebidas estimulantes, utilizem mais o celular, e, devido ao uso de estimulantes, tenham mais problemas em dormir adequadamente.

 

Outra coisa que a reportagem não deixa claro é se os grupos foram orientados a fazer mais ou menos ligações de celular, ou se foram colocados em cada grupo segundo seu perfil de uso do aparelho. Nem sei, com os dados da reportagem da Efe, se o estudo concluiu mesmo se o uso de celular perturba o sono de jovens, ou se apenas aponta uma relação entre os dois fatores, sem deixar claro o que é causa e o que é conseqüência.

 

Segundo as palavras do pesquisador Gaby Badre, “parece existir uma relação entre o uso intenso dos celulares e uma conduta que compromete a saúde”. ‘Parece’ não é tão incisivo quanto a afirmação do título da reportagem: “Estudo diz que celular perturba sono dos jovens”.

 

Tais considerações merecem atenção, tanto na produção de estudos clínicos, quanto na produção de reportagens de divulgação científica. O objetivo é fazer ciência de qualidade, e divulgar seus resultados adequadamente.