GRÃOS INTEGRAIS PREVINEM E TRATAM O DIABETES DO TIPO 2

18 Novembro 2008

 

Pessoas que consomem grãos integrais com regularidade emagrecem e obtêm redução da pressão arterial, dos níveis de colesterol e do risco de doenças como o diabetes.

 

As informações estão no livro “A Dieta Milagrosa dos Grãos”, de Lisa Hark e Darwin Deen, publicado pela editora Publifolha. Leia resenha sobre o livro, no suplemento Equilíbrio da Folha Online, aqui.

 

O livro traz orientações para um programa alimentar baseado no consumo diário de grãos integrais, que pode reduzir de 20% a 40% as chances de desenvolver o diabetes tipo 2, uma epidemia global cujas causas são relacionadas à má alimentação e à obesidade.

 

As fibras e o magnésio contidos nos grãos ajudam a controlar a glicemia e permitem a redução da quantidade de medicamentos necessários ao tratamento do diabetes do tipo 2.

 

Segundo o livro, centenas de pesquisas comprovaram a importância das fibras para o organismo. Por outro lado, o magnésio é um mineral considerado fundamental para a prevenção e o tratamento do diabetes tipo 2.

 

Grãos de aveia, centeio e cevada, ricos em fibras solúveis, mostraram-se mais eficientes no aumento da sensibilidade à insulina do que grãos ricos em fibras insolúveis, como trigo integral e trigo-sarraceno. Substituir as fibras insolúveis por solúveis pode baixar de forma significante os níveis de açúcar e de colesterol no sangue.

 

Pessoas que consomem mais grãos integrais apresentam menor nível de insulina em circulação e maior sensibilidade à insulina. Pesquisas mostraram que quanto maior o tamanho do grão, maior o tempo de sua digestão e mais lento o aumento do nível de glicose no sangue.

 

 

Saiba mais sobre o diabetes do tipo 2

 

No diabetes, ocorre um aumento anormal do nível basal de glicose no sangue. O diabetes do tipo 2 é influenciado pela alimentação e pela obesidade, se desenvolve ao longo do tempo e “está relacionado ao excesso de produção de insulina decorrente do pouco efeito da ação deste hormônio no organismo”, segundo texto do livro.

 

O diabetes do tipo 2 é mais comum em pessoas com sobrepeso ou obesas, e atualmente verificam-se casos da doença até mesmo em crianças com menos de 10 anos de idade.

 

O diabetes do tipo 2 é precedido por um quadro de intolerância glicêmica, em que o corpo perde parcialmente a capacidade de absorver carboidratos ingeridos e desenvolve resistência à insulina.

 

O consumo de grãos integrais pode interferir tanto na intolerância glicêmica quanto na resistência à insulina e desempenhar um papel importante no tratamento e na prevenção do diabetes.

 

 

Leia artigos anteriores deste blog, sobre diabetes:

 

DIABÉTICOS NÃO DEVEM UTILIZAR ASPIRINA PARA PREVENIR DOENÇAS CARDÍACAS, DIZ ESTUDO

 

BRÓCOLIS PODE BENEFICIAR CORAÇÃO DE DIABÉTICOS

 

JUNK FOOD EM GESTANTES PODE PREJUDICAR SAÚDE DA CRIANÇA

 

CONTROVÉRSIA EM ESTUDOS SOBRE DIABETES

 

ALIMENTAÇÃO ADEQUADA, EXERCÍCIO E DIABETES


DIABÉTICOS NÃO DEVEM UTILIZAR ASPIRINA PARA PREVENIR DOENÇAS CARDÍACAS, DIZ ESTUDO

23 Outubro 2008

 

Reportagem da BBC Brasil fala de um estudo que concluiu que a Aspirina não deve ser tomada por diabéticos para prevenir problemas cardíacos, mas é recomendada para pessoas que já tiveram ataques cardíacos ou foram diagnosticadas com doenças na artéria coronária, podendo reduzir complicações futuras em até 25%.

 

A reportagem foi reproduzida pelos portais de notícias O Globo, G1, da Abril e 24 horas news. Também foi reproduzida, com manchete alterada, nos portais Folha Online e BOL.

 

O resumo e o texto integral do estudo, em inglês, estão disponíveis no site da revista especializada British Medical Journal. Clique aqui para ler.

 

A doença vascular é a principal causa de morbidade e mortalidade em pacientes com diabetes melito dos tipos 1 e 2. O estudo, conduzido em 16 hospitais da Escócia, avaliou se o consumo de aspirina e/ou antioxidantes seria mais eficaz que o placebo para reduzir o desenvolvimento de doenças e eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes melito e doença arterial periférica assintomática.

 

A reportagem da BBC fala que 1,3 mil diabéticos participaram do estudo. Uma leitura atenta do original trouxe uma cifra um pouco mais precisa: foram 1.276 participantes, divididos em quatro grupos: 100 mg de Aspirina mais cápsula com antioxidante, Aspirina mais cápsula de placebo, comprimido de placebo mais cápsula de antioxidante ou comprimido de placebo mais cápsula de placebo.

 

A cápsula continha os seguintes antioxidantes: 200 mg de tocoferol, 100 mg de ácido ascórbico, 25 mg de cloridrato de piridoxina, 10 mg de sulfato de zinco, 10 mg de nicotinamida, 9,4 mg de lecitina e 0,8 mg de selenito de sódio.

 

Antioxidantes foram incluídos no estudo para avaliar as ligações entre agregação plaquetária e aumento no estresse oxidativo em pessoas com diabetes e doença arterial periférica. Anteriormente, demonstrou-se que os radicais livres aumentavam a agregação plaquetária. Os níveis plasmáticos de vitamina E, ácido ascórbico e outros antioxidantes são menores em diabéticos.

 

Os agentes antiplaquetários são conhecidos por reduzir futuros eventos cardiovasculares secundários em pacientes com diabetes melito e doença cardiovascular, e também em pacientes com doença arterial periférica.

 

O estudo realizou uma meta-análise de quatro estudos prévios sobre a Aspirina como profilaxia primária contra eventos cardiovasculares, que mostraram que a Aspirina diminuiu o risco de infarto do miocárdio, mas não reduziu a mortalidade total e poderia aumentar o risco de derrame e hemorragia. Esta meta-análise e outro estudo prévio concluíram que a Aspirina não deveria ser dada a todos os pacientes de diabetes, mas apenas para subgrupos específicos.

 

Segundo o estudo, o uso da Aspirina é uma das dez principais causas de efeitos adversos de drogas relatados à “Commission on Human Medicines” (Comissão sobre Medicamentos Humanos). A hemorragia gastrintestinal é associada ao uso de drogas antiinflamatórias não-esteroidais em mais de 80% dos casos relatados, e 87% desses casos estavam associados à Aspirina.

 

Em entrevista à reportagem da BBC, Jill Belch, coordenadora do estudo, disse que a aspirina é uma das causas mais comuns de admissões hospitalares para os casos de sangramentos estomacais.

 

Segundo a reportagem da BBC, a Aspirina “não trouxe benefícios para um grupo de 1,3 mil diabéticos que não apresentavam sintomas de doenças cardíacas. Os resultados contradizem teorias anteriores de que pessoas com diabetes deveriam consumir aspirina rotineiramente para se proteger dos riscos de ataques cardíacos e infarto”.

 

A reportagem segue dizendo que o “uso da Aspirina, no entanto, é recomendado para pessoas que já tiveram ataques cardíacos ou foram diagnosticadas com doenças na artéria coronária porque pode reduzir futuras complicações em até 25%”.

 

 

Antioxidantes

 

Com relação aos antioxidantes, o estudo traz algumas considerações. Segundo o estudo, as taxas específicas de eventos adversos não apresentaram diferença estatisticamente significante entre os grupos que receberam e não receberam antioxidantes, exceto por sintomas gastrintestinais –incluindo dispepsia- que foram relatados por mais pacientes no grupo que não recebeu antioxidantes.

 

Por outro lado, mais mortes ocorreram nos grupos que receberam antioxidantes. “O aumento no número de mortes de qualquer causa nestes grupos, comparado ao grupo sem antioxidantes, foi estatisticamente significante. Essa diferença parece ser parcialmente devida a uma relativa deficiência de mortes no grupo sem antioxidantes, comparados com o padrão observado para esta faixa etária e de gênero na Escócia, e parcialmente devido ao excesso de mortes no grupo com antioxidantes”, diz o estudo.

 

“Uma preocupação foi o fato de que houve uma tendência ao dano no grupo que recebeu antioxidantes. Deve-se notar que o aumento no número de mortes no grupo com antioxidantes deve parcialmente refletir a melhor sobrevida que a esperada para o grupo que não recebeu antioxidantes, ao invés de um óbvio efeito negativo dos antioxidantes”, concluíram os pesquisadores.

 

 

Leia artigos anteriores deste blog sobre a Aspirina:

 

ASPIRINA PODE PREVENIR DOENÇA CARDÍACA, MAS TAMBÉM TRAZER EFEITOS ADVERSOS

 

ASPIRINA PODE PREVENIR DOENÇA DE ALZHEIMER


BRÓCOLIS PODE BENEFICIAR CORAÇÃO DE DIABÉTICOS

13 Agosto 2008

 

Com mau funcionamento dos vasos sanguíneos, diabéticos têm cinco vezes mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e infartos. A boa notícia é que um estudo das universidades de Warwick e Essex, Reino Unido, concluiu que o consumo de brócolis pode ajudar a reverter danos aos vasos sanguíneos, causados pelo diabetes.

 

O estudo foi tema de reportagem publicada no portal de notícias BBC Brasil e reproduzida pelos portais Folha Online, Terra e G1.

 

O estudo, intitulado “Activation of NF-E2-related factor-2 reverses biochemical dysfunction of endothelial cells induced by hyperglycemia linked to vascular disease” (Ativação do fator-2 relacionado a NF-E2 reverte disfunção bioquímica de células endoteliais, induzida por hiperglicemia ligada a doença vascular), foi publicado na revista especializada “Diabetes”. Leia um resumo do estudo, no site da revista, aqui.

 

O sulforafano, composto produzido pelo brócolis, seria o responsável pelos efeitos benéficos no coração de diabéticos. Os pesquisadores britânicos concluíram que o sulforafano produz enzimas protetoras dos vasos sanguíneos e moléculas que revertem os danos celulares causados pelo excesso de glicose.

 

Segundo o resumo do estudo, realizado in vitro, células endoteliais microvasculares HMEC-1 humanas foram incubadas em concentrações baixa e alta de glicose (5 mM e 30 mM, respectivamente) e a ativação do nrf2 (NF-E2-related factor-2) avaliada por translocação nuclear.

 

Foram avaliados ainda os efeitos do sulforafano sobre múltiplas vias de disfunção bioquímica, o aumento da formação de espécies reativas do oxigênio (ROS), a via metabólica da hexosamina e da proteína quinase C e o aumento da formação de metilglioxal.

 

Segundo a reportagem da BBC Brasil, o sulforafano reduziu em até 73% a presença de ROS, que são produzidas em excesso com altos níveis de glicose no organismo, danificando as células. Também ativou a proteína nrf2, “que protege células e tecidos ao produzir enzimas antioxidantes e desintoxicantes”.

 

Em entrevista à reportagem da BBC Brasil, o coordenador da pesquisa, Paul Thornalley, disse que o estudo sugere que substâncias como o sulforafano podem ajudar a conter o aparecimento de doenças vasculares em pacientes com diabetes, e declarou que “no futuro, será importante testar se uma alimentação rica em brócolis e outros vegetais brassica (como couve-flor e repolho) pode se traduzir em benefícios para os que sofrem da doença”.


JUNK FOOD EM GESTANTES PODE PREJUDICAR SAÚDE DA CRIANÇA

2 Julho 2008

 

Reportagem da BBC Brasil fala de estudo pré-clínico que concluiu que “uma alimentação à base de junk food por mães durante a gravidez e a amamentação pode prejudicar, a longo prazo, a saúde da criança”. A reportagem foi reproduzida pelos portais de notícias Folha Online, G1, Terra e Estadão Online.

 

A dieta inadequada pode originar problemas como obesidade, alto nível de colesterol e glicose e diabetes na criança. Os danos podem ser irreversíveis, mesmo que a criança adote hábitos alimentares saudáveis.

 

O estudo, com ratos, foi conduzido por pesquisadores do “Royal Veterinary College”, em Londres, e publicado na revista especializada “The Journal of Physiology” (leia o estudo na íntegra, em inglês, aqui).

 

Segundo Neil Stickland, que participou da pesquisa, os resultados podem ser aplicados a humanos. “Os humanos e os ratos dividem sistemas fisiológicos similares e essa é uma boa razão para assumir que os efeitos observados nos ratos possam ser repetidos nos humanos”, disse Stickland à reportagem da BBC.

 

Na pesquisa, ratas grávidas foram divididas em dois grupos: um recebeu comida processada, doces e frituras, e o outro recebeu uma dieta saudável. Os filhotes das mães com dieta à base de junk food tinham altos níveis de colesterol e triglicerídeos (que contribuem para doenças cardíacas) e níveis altos de glicose e insulina (que aumentam as chances de a criança desenvolver a diabetes do tipo 2).

 

Os ratos foram monitorados até depois da fase adolescente. Aqueles cujas mães se alimentaram de junk food continuavam mais gordos e tinham uma camada de gordura ao redor dos rins.

 

Em entrevista à reportagem da BBC, o nutricionista Simon Langley-Evans, da Universidade de Nottingham, Inglaterra, questionou as conclusões do estudo. Segundo ele, o estudo não prova que a dieta da mãe pode afetar a saúde da criança além do efeito nos desejos e no apetite.

 

“Tudo o que eles mostraram pode ser resultado de obesidade causada pelo aumento do apetite”, afirmou Langley-Evans, que, no entanto, reconhece que a influência precoce da mãe é muito importante.

 

Estudo pré-clínico anterior concluiu que gestantes que comem junk food podem estar condenando os seus filhos a ter compulsão pela mesma dieta (leia reportagem da BBC Brasil sobre este estudo, aqui).


CONTROVÉRSIA EM ESTUDOS SOBRE DIABETES

11 Junho 2008

 

Reportagem da Folha de S.Paulo reproduzida pelo UOL traz um bom exemplo de controvérsia científica. Ou seja, um assunto que divide os pesquisadores, que chegam a conclusões conflitantes.

 

Segundo a reportagem da Folha, o “papel da alimentação na prevenção do diabetes ainda é incerto, e diferentes pesquisas apresentaram resultados contrastantes”.

 

Um estudo conduzido na China concluiu que pacientes que consumiram mais fibras e vegetais, e menos açúcar e gorduras saturadas, tiveram menos riscos de contrair diabetes. Mas a Associação Americana de Diabetes declarou que os pacientes diabéticos não precisariam se preocupar com o teor de açúcar nos alimentos.

 

Já Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração, em entrevista à reportagem, disse que o importante na alimentação “é a perda de peso, ou a manutenção no caso dos magros”. Com relação ao teor de açúcar nos alimentos, recomenda evitar exageros em alimentos com açúcares refinados.

 

A mesma opinião tem o endocrinologista Antonio Carlos Lerário, que afirma à reportagem da Folha que o segredo está em evitar a obesidade, o que significa menos células gordurosas.

 

 

O papel da controvérsia

 

A controvérsia é normal dentro da ciência. Diferentes metodologias nos estudos podem levar a resultados diferentes. Às vezes, estudos surgem para contradizer estudos anteriores.

 

Já se foi o tempo em que a ciência se considerava ‘dona da verdade’. Não que os cientistas sempre adotassem essa postura desde o início dos tempos, mas é uma idéia coletiva de ciência que está mudando.

 

É claro que a controvérsia também pode ser um sinal de estudos mal-conduzidos, com metodologia errada, que trazem consigo um verniz ideológico etc.

 

Mas o questionamento, o conflito, são fundamentais para que possamos avançar no que se considera não a busca da verdade, mas sim a melhor interpretação possível com base no conhecimento disponível.

 

 

Outras controvérsias

 

Muitos outros assuntos continuam causando controvérsia científica. Alguns exemplos: o papel dos suplementos vitamínicos; o uso de protetor solar; os benefícios de substâncias antioxidantes.

 

Prometo voltar em breve a esses temas.