Em busca de informações sobre gorduras trans na web, me deparei com um site interessante, o “BAN TRANS FATS- the campaign to ban partially hydrogenated oils”, que trabalha nos EUA para banir a gordura trans (GT) de produtos industrializados e de padaria.
A princípio, hesitei em fazer um artigo sobre este site, mas acabei cedendo à idéia devido à grande quantidade de informações sobre GT, que podem ser úteis à saúde e a pesquisas sobre legislação nos EUA.
A organização americana orienta a indústria alimentícia a reduzir e eliminar a GT de seus produtos e educa o público sobre os efeitos prejudiciais de seu consumo. O site, em inglês, mostra um exemplo de ações afirmativas que poderiam ser feitas no Brasil.
Um link do site leva a uma página com informações sobre GT. Há também um resumo de quatro estudos importantes sobre seus efeitos na saúde humana. O site apresenta dezenas de links para páginas sobre legislação, artigos de jornais e áudios de entrevistas.
O bantransfats.com começou em 2003, liderando uma campanha direcionada à indústria alimentícia Kraft para eliminar a GT do biscoito Oreos. Como resultado, a Kraft não só fez isso como reduziu ou eliminou a GT de outros 650 produtos.
Eles também visitaram os 18 restaurantes da cidade de Tiburon, na Baía de São Francisco, e convenceram proprietários e gerentes a utilizar óleo livre de GT para fritura.
O site dá exemplo de uma confeitaria em Whittier, Califórnia, onde tudo é livre de GT. Os produtos são feitos com óleo de canola e apresentam sabor, textura e secura satisfatórios. E se as padarias brasileiras seguissem esse exemplo?
Recomendações de consumo de GT
Em 2005, o governo americano emitiu a “Dietary Guidelines for Americans 2005”, onde declara que “deve-se manter o consumo de GT o mais baixo possível”. Em 2006, a American Heart Association (AHA) emitiu o “2006 Diet and Lifestyle Recommendations“, onde diz que o consumo diário de GT deve se limitar a 1% das calorias totais, o que equivale a aprox. 2 a 2,5 g de GT ao dia.
Sem saber, consumidores podem ingerir até 15 g de GT numa única refeição. Segundo dados do site, uma batata frita grande do McDonald’s tem 8 g, e uma torta de maçã, 4,5 g. Restaurantes também servem alimentos com GT, às vezes mais do que numa refeição de fast food.
O problema dos rótulos
A página do bantransfats.com também fala sobre legislação de rótulos e fatos nutricionais. A FDA (agência federal americana que controla drogas e alimentos) emitiu regulamentação de rótulos, que diz que a partir de janeiro de 2006 todos os alimentos embalados deveriam listar o conteúdo de gorduras em seus rótulos com dados nutricionais.
Mas, segundo a regulamentação vigente, “se a porção contém menos de 0,5 g de GT, o conteúdo de GT, quando declarado, deverá ser expresso como zero”. Se você comer uma porção do produto A, uma do produto B e outra do produto C, cada uma com 0,4 g por porção, o consumo será de 1,2 g de GT, mesmo que os rótulos declarem que o produto não contém GT.
Pode-se ver que o problema dos rótulos não acontece somente no Brasil (leia artigo anterior publicado neste blog sobre GT e o problema dos rótulos no Brasil, aqui).
Nova York
O projeto na cidade de Tiburon serviu de inspiração para outras cidades. Autoridades de Nova York contataram a organização para replicar a idéia. O programa desenvolvido fez com que Nova York aprovasse uma regulamentação banindo a GT em 2006.
Em setembro de 2006, O Departamento de Saúde da cidade de Nova York emitiu nota pública recomendando a eliminação parcial de GT em todos os restaurantes e a impressão do conteúdo calórico em menus.
Em dezembro do mesmo ano, a nova regulamentação foi aprovada, com algumas mudanças. Proprietários de restaurantes declararam que não houve mudanças no sabor ou no custo dos alimentos.
Filadélfia
Em 2007, a cidade americana de Filadélfia, seguindo o exemplo de Nova York, tenta banir a GT. Em fevereiro de 2007, o Conselho Municipal aprovou a idéia. Em seguida, o prefeito da cidade transformou a iniciativa em lei.
No momento, o bantransfats.com trabalha para reduzir o uso de GT na Califórnia. Uma lei nesse sentido foi aprovada em diversas instâncias e agora aguarda uma votação pelo Senado da Califórnia.
Legislação no Canadá
No Canadá, em novembro de 2004, uma lei foi introduzida no Parlamento Canadense para efetivamente banir a GT. Em resposta, aprovou-se o estabelecimento de uma força-tarefa, seguida por regulamentações para limitar o conteúdo de GT em todos os produtos.
Entre as recomendações finais da força-tarefa, limitar a 2% o conteúdo de GT em óleos vegetais e margarinas vendidas a consumidores ou como uso como ingrediente no preparo de alimentos por restaurantes. Uma regulamentação neste sentido deve ser finalizada em junho de 2008.
Questão de saúde
Com se pode ver, a questão da GT tem merecido a devida atenção de autoridades americanas e canadenses. No Brasil, a legislação também tem produzido bons efeitos. Mais que simples redução de custos com a saúde pública, é o bem-estar de cada um de nós que está em jogo. E você, sabe quanta GT consome em seus alimentos?